Trecho do meu Livro "remasterizado"
Sem rumo : O amor além da imagem
Só uma personagem?
"Escrevo...e num bar ou restaurante... e tchá tchá tchá... vamos lá... Ah mas para quem?... E murmúrios a porta estava aberta era tudo sem sentido"
E eu é claro, vivo aqui sentado num sofá velho de canto, frente ao espelho, estremeço. Já estou cansado do barulho que faz aqui no meu corredor. “Era pra ficar ali a TV mas num certo dia ao deixar uma estante no térreo, o lixeiro disse que não era lixo e fez questão de exclamar (mas isto não é lixo!)... fiz questão de pôr a TV ali do lado do poste, no mesmo lugar - e o lixeiro agradecia. Nunca vi alguém nesta terra agradecer outro alguém por dar trabalho: a TV pesa!”
Não vamos discutir se é ou não lixo...
Num fim de tarde eu nem bem terminara de chorar com o livro que estava em mãos e ouvi dizer - “Número doze... primeiro andar, é aqui!. (Toc...Toc...Toc)”.Sem medo eu abri a porta e sem tempo também de terminar o assunto do lixo “é para você, senhor”, eu pendendo a falar ”Senhor está no céu”, olhei, huam, “assine aqui!”, assinei. Peguei um pacote pesadinho e imagine? Esqueci até a porta aberta. Após fazer uma breve busca não pude deixar de depositar o pacote na estante e voltar a me sentar aqui no mesmo lugar. No pacote dizia que era para mim - não escrito assim, mas com o meu nome. Um nome qualquer que batia com o meu nome. Talvez fosse para outra pessoa, ora vamos... Lembro da imagem do cachorro que entrou pela porta da sala no mesmo instante e trazia a dona. Chamei de dona mesmo na hora e sem porque guardei o nome dela de Dona Feia. Ela dizia “Desculpe você”. Larguei no ar alguma piada antiga "Você quem deveria levar o cão" ou talvez "O cão não deveria levar você", mas a cara da Dona ficou feia, não que fosse ou não fosse.
O cão como entrou também saiu com a Dona e tudo, e ficou de fora com as sirenes na rua, e o som do senhor polícia gritando “parado!”.Lembro-me bem, deu pra ouvir do meu andar. Hoje o hobbie não é mais violão ou pílulas de ilusão pois o pacote cor beje é mais interessante, melhor que o cotidiano estagnado, sem maiores bagagens com idéias. Continuo, eu, aqui sentado vendo o meu vaso de flores sem flores. Contendo só uma água amarelada... e antigamente se a muito que eu fazia isso, via o pacote mais amarelo por que acho que juntava o amarelo: da luz, da água, do pacote e mais o amarelo da madeira da estante. Resulta num amarelão.
Se existir o herói eu serei o anti-herói, ou talvez o nem-aí-pro-herói e mesmo assim serei obrigado a não saber que existe o herói para não condenar as pessoas que querem ser o herói. Me veio a palavra semântica e o dicionário velho condena como... ainda no R e está difícil... sáculo... cada palavra inútil.. já vi o que procurava e não achei graça, volta-mos então novamente ao passado.
Uma figura estranha cheia de mágoas e despindo toda aquela mulecagem que fazia pirraça e gozava dos colegas eu fiz. E me lembro que ao sair de casa aos quatorze anos era evidente que a minha imaginação embora simbólica havia tomado conta dos meus atos. Como quem acredita que é algo e se faz ser até que um dia numa conversa o momênto epifânico se volta contra tudo, me fiz ser escritor dos quatorze aos vinte anos. Já não me arrependo, pois bem sei que eu não retorno a lembrar do que eu escrevia, mas as cartas que as editoras aguentavam eram feitas aos montes. Todo mês um livro novo com idéias confundidas umas nas outras estava no correio com seu destino escritora-qualquer.
Talvez tive eu cansaço de tanto imaginar ser algo que não me fazia feliz, mas que fique bem claro que a TV não me fixou vontades. Mas mesmo assim revirando o passado eu me sinto feliz ao olhar pela janela do meu apartamento e sentir toda essa solidão que pra alguns pode ser sinônimo ao que se diz ruim, mas gosto! Chega de tanto passado e vamos apagar as velhas com tesouras assim elas não se acendem novamente, tornam-se descartáveis. Retomando a historia se bem eu lembro, cansei de imaginar a Tv que ficou com o lixeiro e resolvi sair, saí sem ao menos mexer na porta que ficou aberta. Mesmo depois que a mulher feia que no momento me pareceu menos feia ao dizer algo no elevador me deu um cutucão sussurrando "você não escuta?", continuei calado. Era eu desligado frente aos números! Como ela poderia apertar comigo ali?... Ela sendo do meu andar provavelmente iria pro térreo comigo. Mas ela desce no segundo subsolo e a acompanho, fico ali no elevador observando que ela segura a porta esperando que eu saia também... lembrei de quando freqüentava o prédio da minha avó que logo era da minha avó e de meus primos, mas que depois que minha avó saiu de lá ficou só de meus primos, quero dizer primos e tia ou somente tia e tio... E ela(Dona Feia) ainda esperando, esperando eu raciocinar. Fiz um sinal com as mãos, aperto o térreo e acho que ela entende... bufa olhando para o chão e solta a porta.
Descendo do elevador ficava uma mesa de centro bem no caminho. Um enfeite tão útil quanto é útil um ferro de passar. Sendo que a secadora encolhe mas não amassa. Passava driblando o cesto de lixo que tinha a parte de cima destinada às cinzas do cigarro.
Escrito por r u l às 22h16
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